10/10/2023

Modo Love faz campanha em prol da Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos

As campanhas em torno do “Outubro Rosa” são comumente focadas na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de mama, mas há outros aspectos relacionados à doença que acabam ficando em segundo plano e também são importantes. É o caso, por exemplo, da autoestima e da saúde íntima das mulheres, temas envoltos por tabus e que são alvos da campanha que o sex shop online Modo Love está lançando. A loja, além de incentivar a prática do lazer íntimo, destinará uma parte dos recursos com as vendas durante este mês à Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (AAPOC).

A escolha da entidade está ligada à história pessoal do proprietário da Modo Love, André Luis Santos Santana. Ele conta que a mãe é paciente oncológica e recebeu apoio e assistência da AAPOC quando mais precisava. O empresário lembra que, quando se recebe o diagnóstico de câncer de mama, a primeira coisa que vem à cabeça é a morte. É uma situação “desesperadora, chocante”, define, e o acolhimento, a orientação e o cuidado vêm como um bálsamo para a dor desse momento. E é justamente o que a associação faz, de diferentes maneiras.

André revela que é tudo muito difícil para quem tem câncer e não tem condições de arcar com os altos custos do tratamento. A pessoa fica sem saber ao certo o que fazer, a quem recorrer, que medidas tomar. “A AAPOC entrou na nossa vida através de uma amiga minha, cuja irmã é presidente da entidade, e a partir desse momento minha mãe se associou e foi muito bem acolhida, recebeu todo um direcionamento na parte médica, psicológica. Isso é muito importante em momentos como esse, em que a pessoa está extremamente abalada”, relembra.

André ilustra a situação das pacientes oncológicas revelando que o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece apenas uma das próteses. “A outra prótese a pessoa tem que se virar para arrumar. Quando a pessoa não tem dinheiro, não tem de onde tirar, é um abalo. Minha mãe passou por uma cirurgia de retirada de mama e tudo feito através da AAPOC, que conseguiu um desconto para a prótese, pois tem parceria com os fornecedores e consegue um desconto”, explica.

A campanha

O empresário decidiu então criar uma campanha para auxiliar a AAPOC a continuar dando esse apoio imprescindível às pacientes oncológicas. Segundo André, todas as vendas de produtos realizadas pela Modo Love dentro do mês de outubro terão uma porcentagem destinada à associação.

Além disso, há um trabalho no sentido de fazer um link com a questão da autoestima e do prazer, afinal a loja atua nessa área. A saúde íntima da mulher é uma preocupação quando se fala da multidisciplinaridade do tratamento oncológico. Muitas pacientes com câncer, mesmo mais jovens, acabam entrando na menopausa devido ao tratamento e não podem usar terapia hormonal. Para diminuir os sintomas, uma das recomendações é o lazer íntimo, cita.

Parceria muito bem-vinda

A iniciativa é enaltecida pelas duas diretoras da associação, a presidente Janaína Santana e a vice-presidente Danúbia Rondon. Pacientes oncológicas, elas criaram a AAPOC há dois anos e meio justamente por ter passado por situações difíceis e conhecer as necessidades de quem enfrenta um câncer. “Pensamos em criar uma associação que fizesse diferente. Nós começamos a fazer um trabalho de acolhimento desses pacientes com todo tipo de câncer, homem, mulher, criança. Nós oferecemos psicólogo, dentista, fisioterapia, tudo oncológico, especializado”, informa Danúbia.

No caso das pessoas que não têm condições de arcar com os altos custos do tratamento, a entidade paga exames, doa bolsas de colostomia, cateteres, medicamentos, próteses para as mulheres que precisam fazer a reconstrução da mama e sutiã especial para aquelas que não têm indicação de cirurgia. Desde 2020 foram feitos 4600 atendimentos e hoje há 266 pacientes associados à AAPOC que estão em acompanhamento. E o número só tem aumentado, conta a vice-presidente.

A parceria com a Modo Love, avalia Danúbia, casou com todo esse trabalho que vem sendo feito pela AAPOC. Além dos recursos, que são essenciais para a manutenção do atendimento, ela traz um enfoque que é pouco trabalhado com esse tipo de paciente. “Principalmente para as mulheres essa parte feminina, essa parte sexual fica muito comprometida durante o tratamento. Primeiro porque há uma descaracterização física, você perde os cabelos, sobrancelhas, muitas perdem as mamas, algumas têm que usar a bolsa de colostomia. Então isso mexe com a autoestima. Muitas entram na menopausa precoce e isso mexe muito com a parte sexual”, explica.

“Quando o André vem com essa proposta ele traz um plus para o tratamento, uma melhoria na autoestima delas, para elas entenderem que tem formas e formas de melhorar essa relação. Primeiro com elas mesmas, depois com quem elas se relacionam. Então isso é muito importante, trazer essas questões, falar com mais tranquilidade sobre isso. Existe um tabu muito grande, ainda mais para a mulher oncológica”, reconhece.

Usando como exemplo o projeto carro-chefe da AAPOC, que se chama “Avivar”, Danúbia reforça a importância de levar avivamento, esperança, alegria para essa jornada que não precisa ser tão pesada. “Fui diagnosticada, tenho que enfrentar o tratamento, não tem outra forma, então o que eu posso fazer para melhorar isso? É o que eu preciso buscar. A gente mostra várias formas de passar por isso, levando alegria, esperança, levando histórias de sucesso que deram certo. É uma doença grave, mas vamos viver, estamos aqui”, conclama.